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A incrível história da paciente X

 

 

A dor emocional e o trauma do abuso podem deixar cicatrizes profundas em nossa psique, afetando nossa qualidade de vida, relacionamentos e bem-estar geral. Essa realidade torna-se um fardo para todos que passam pelo pior que a vida oferece de bandeja para quem nunca pediu por esse tipo de sofrimento.

 

            Ter seus limites violados por um estranho ou conhecido marca no corpo as digitais que deixam cicatrizes que podem ser eternamente mantidas como forma de parametrizar o comportamento que nunca será como deveria ser. Sim, tenho experiência sobre o assunto. Tratei muita gente para estar aqui com autoridade moral de mostrar como sair desse circulo de fogo que nos queima de dentro para fora.

 

            Mas não só isso, fui também vítima, tenho sequelas, mas acima de tudo tenho soluções práticas de como impedir os fatos se tornarem realidade diante da vida que já é dura demais para suportar mais um peso desmedido e principalmente imposto pelo outro.

            Lembro bem do dia em que a paciente X chegou ao consultório. Nessa tarde quente de verão, o calor da manhã mostrava o que viria a tarde. No estacionamento um carro preto chegava dirigido por seu motorista, a senhora X desce e se apresenta como uma pessoa importante que não devia nada a ninguém a primeira vista. Ao olhar comum a mostra era de alguém importante, ao olhar dos detalhes alguém que chorava por dentro.

 

            O salto agulha mostrava nos passos o equilíbrio dinâmico de uma marcha que fazia de tudo para não se mostrar claudicante. No meio o vestido acima um pouco dos joelhos, deixava escapar os detalhes de um desvio para dentro, que acabava encontrando no quadril oposto outro desvio para o lado oposto. A incongruência tão óbvia mostravam os fatos mais superficiais de sua personalidade forjada a força do calor da brasa.

 

            No meio do caminho a pequena bolsa a mão mostrava algumas de suas raridades, embora o que marcava mesmo era a cintura modelada de forma que seus ombros pudessem estar projetados a frente para impedir que sua coluna ficasse totalmente ereta. O componente rotacional estacionado no tronco, se prende em pontos do pescoço e cabeça para rodar o corpo durante a longa jornada que a vida forjou para essa importante paciente.

 

            A porta finalmente se abre e os cabelos pouco molhados mostravam que a hora de acordar era mesma, mas a distância daqui era pequena o bastante para poder se dar ao luxo de lavar os cabelos antes da consulta. Uma apresentação de gala para quem esperava seu copo encher no filtro no fundo da clínica.

 

            Em minutos os ocorridos identificaram a o problema e me levaram direto ao assunto. Sentados frente a frente uma primeira e única pergunta fora feita para que todo aquele arsenal se desmontasse em tempo de um lenço de papel ser retirado da gaveta. E qual foi essa pergunta que até hoje me faz refletir a ponderar sobre seus efeitos…

 

 

QUANDO SORRIU PELA ÚLTIMA VEZ?

A dor emocional estabelece no intimo do ser suas bases que cristalizam no cérebro suas informações para a partir dali pulsar continuamente impedimentos, que consomem sua energia, e vontade de ser quem precisa ser.

Seu vínculo modula o comportamento de quem nem se lembra ou mesmo que saiba, não poderia fazer nada quando o mal, penetrava pelas entranhas da carne, que provavelmente nunca mais voltariam mais ao mesmo estado.

Uma missão deve ser cumprida a risca custe o que custar, por isso temos que seguir com as armas que temos para subir ao pódio. Nesse caminho em que o frio persiste, e as pernas tremem pelo medo de tudo se repetir, só existe lugar para a coragem de continuar até o destino.

Nesse momento, a tensão criada pela pergunta que não tem resposta, pega o mais preparado dos humanos de surpresa pelo simples fato de ser verdade.

Então, me responda: 

 QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ SORRIU DE VERDADE?

“não lembro” diz a paciente X antes da primeira lágrima cair.

Sua estrutura havia se quebrado, sua dor e solidão encontrava ali refúgio, suas pernas podiam descansar enquanto sua cabeça continuava latejando de dor.

Uma paciente complexa que exigia de mim, seu terapeuta, o simples. Um tratamento básico, depois de uma pergunta assertiva, teria de volta ao jogo alguém que fez falta o tempo todo.

Seus pais tentaram, sua família impusera grandes desafios a jovem moça que se preparava para viver eternamente com seu príncipe encantado. Uma verdadeira história de sucesso a dois, era me contada em cada sessão. Sua vida ao olhar do outro, era simplesmente perfeita, mas por que a reposta para um questionamento tão comum, não existia…

QUANDO VOCÊ SORRIU DE VERDADE?

A infecção urinária me levava ao entendimento que tudo que escondia estava comprometendo sua história mais ainda. A dor de cabeça desde os 7 anos mostrava mais…

O pai sempre distante, fazia falta…

Mas o sorriso sem motivo, a graça da vida haviam se perdido no caminho, a mim restava apenas uma coisa, trazer tudo isso de volta.

Assim me empenhei. Fiz como sempre fazia com quem consegue ou não sorrir. O melhor foi feito para que tudo fosse restabelecido.

Mas antes que os passos fossem oferecidos ao terreno sempre incerto, precisava saber se o que já sabia sobre sua história era certo. Enquanto, bebia minha água a escutava falando da falta de afeto da mãe de origem alemã. Seus avós, viveram o horror da guerra do lado errado, sua linhagem era um pouco controversa para expor em público, por isso foquemos no que importa.

Mesmo com toda aparência sua vesícula que fora retirada com 12 anos, se mostrava na pálpebra esquerda caída. Os indecisos sabem do que estou falando.

As dores de cabeça eram intensas, mas o quadril era pior. Embora seu renomado médico, estivesse parcialmente certo, e sim, os anos de treino para entrar no seleto grupo de jogadoras de vôlei de uma olimpíada marcavam o peito com uma medalha, mas mesmo assim, o destino não seria diferente mesmo para ela.

A sessão termina e o próximo passo estava determinado pela somatória de elementos que aquela primeira sessão mostrara. Os dados impressos na minha mente só serviam de confirmação para uma verdade que seria dita no momento certo:

VOCÊ NÃO É CULPADA!

 

VOCÊ NÃO É CULPADA!

O abuso sexual é algo que precisa ser olhado com atenção, pois sua presença encarna ao corpo o desgosto de ter sido violada por quem deveria fornecer apenas o toque do carinho.

Se você se identificou com essa história seja bem vinda!

 

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* A História continua…dia 25/08 às 16:00. 

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