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006 – Na Espreita

Os dias passaram e ficamos em molho a espera do alvo que também se atrasou. Poções e medicação fazem companhia a vodca legítima. Afinal estamos próximos a Rússia! Os equipamentos foram renovados e realmente estamos numa região inóspita para variar. 

            O ataque de dias atras deve ficar marcado como o mais sangrento de todos até hoje. Muitos foram alvejados pela matilha que segundo os mais experientes eram lobos treinados. Essa história muito comum entre os agentes de nossa patente sempre foi motivo de desconfiança. OS mais velhos diziam que durante a Guerra Fria a União Soviética havia treinado matilhas de lobos para atacarem em manada coordenada como um exército que marcha no silêncio do invisível. 

            Tudo leva a crer que realmente isso seja verdade. Aquaman que desconfia até da sombra em dia de chuva, comenta nunca mais esquecerá das cenas desse dia. Mesmo ele nascido em meio a um conflito civil na Bósnia, diz que os lobos agiam como se estivessem obedecendo ordens. 

            Red Face não cansa de repetir e aumentar a quantidade de lobos. Enquanto memória ambulante projeta na mesa uma machadinha especial que segundo ele consegue atingir os lobos com mais chance de acerto. Pela porta entra o chefe sorridente ele me olha falando o quanto foi tudo estranho e meu nome fica marcado na mente e boca de quem lá esteve – Golden Kid – se transformará numa lenda por gerações, confiem!

            O chefe comunica que sairemos de manhã e os novos mapas precisam ser lidos. Nesse momento, Red Face se senta para apontar comigo os possíveis pontos no mapa que podem os lobos estarem nos aguardando. Essa especialidade é típica de personalidades ativas como Fred face, um legítimo MEGA TDAH, como ele mesmo se apresenta quando esquece alguma coisa importante que sempre um de nós lembra. 

            Uma rápida olhada ele seleciona 3 pontos e me justifica os motivos para isso, enquanto traga seu cigarro com ervas especiais feito por memoria ambulante. Quando Red Face todos se calam, embora ele seja muito sarcástico na maioria das vezes, sua forma de falar e mostrar o que se sabe trás ao local as cenas exatas de como seria se fosse verdade. Sua forma de lidar com as energias é bem peculiar e fazer plasmar é com ele. 

            A noite trás o medo de tudo acontecer novamente. Na mente o trauma fica e se mostra pelo aperto no peito e uma leve alteração dos batimentos cardíacos. No cérebro a amígdala sinaliza todo o resto o que se passa. O simpático entra sem pedir licença. Um ansiolítico é me dado na hora, enquanto um dos homens de branco chega com suas agulhas. 

            Na perna e cabeça ele puntura para estimular a cicatrização das feridas. Ele sente meu pulso e diz que memorias são boas para lembrar o que se deve esquecer. De repente a sola do meu pé é picada com força eu desmaio ou durmo, nem sei!

            No meio da noite eu desperto com todos em volta dormindo. A sombra do medo parece ter ido embora. Minha história com esse sentimento é bem peculiar e vale a pena contar por aqui. O medo é algo importante para nos permitir viver. Sua natureza é tão antiga como essa floresta. E desde o nascimento fui submetido a situações que pudessem me servir para lidar com ele. 

            Com o tempo a experiência me trouxe a frieza de um metal bruto. Com ela minhas qualidades foram chegando e produzindo minha personalidade um tanto antissocial. Prefiro observar do que levantar e conversar. Analiso todos a volta para entender seus motivos e formas de agir. Tento assimilar suas capacidades para confrontar com as minhas e saber se algo em cada um me serve. 

            Fui treinado sob essas condições. Meu olfato e audição são superdesenvolvidos. Consigo distinguir todo tipo de aroma original ou combinado. Isso nos ajuda a localizar o inimigo de longe. Porém no dia do ataque eu não consegui detectar a outra matilha. E isso me perturbava, busquei na mente o cheiro, mas algo foi bloqueado quando chego próximo da combinação de aromas desses lobos especiais.

            Enquanto o sono repara os mais cansados eu ando pelos arredores em busca de alguma pista. Escuto os murmúrios dos sentinelas posicionadas no mesmo local de antes. Isso me chama atenção pois ao revisar os mapas mais cedo com Red Face, um caminho diferente ao lado sul parecia ser sugestivo para um segundo ataque. E se caso eles continuassem na região do pântano outro ataque poderia acontecer a qualquer instante.

            Ao pensar nisso minha mente me remete ao dia do primeiro ataque. Lá deitado minutos antes de me colocar em posição de escuta, fui vendo mentalmente cada frame dos acontecidos. Até o instante do ataque – o cheiro ocre aparece para informar minhas narinas com o que estávamos lidando. O aroma ocre combinado com chuva mostra a procedência desses animais que realmente pareciam mais que treinados para o ataque. 

            De longe vejo suas sombras em destaque no alto dos montes como se me avisassem que eles irão terminar o serviço. Busco entender o momento para saber se alguém os acompanha. Mas nada responde, parecem estar sozinhos. 

            De volta a tenda aviso os ocorridos. Esse cheiro ocre é originalmente oferecido por um tipo de argila localizado apenas em dois locais no mundo. E essa pista é essencial para encontrarmos quem havia mandado esses lobos. E se isso se confirma o risco que corremos é bem maior, pois alguém sabe onde estamos. 

            Uma ligação é feita. O chefe exige explicações e pede atenção especial ao batalhão de terra. Vídeos dos satélites chegam rapidamente para mostrar que a bela matilha se misturou desde a China com outras matilhas que fazem exatamente nessa época uma viagem de pelo menos 3 mil quilômetros até o Afeganistão. 

            Mas ali essa matilha especial some e nenhum satélite consegue detectar seu paradeiro. Os mapas voltam a cena e Red Face organiza sua mente para nos mostrar algo. Enquanto o café chega para amargar a boca de quem precisa acordar. 

            Com os dedos trêmulos, unhas roídas e pontas vermelhas Red mostra o provável caminho feito por esses lobos para chegarem até aqui. Uma rota improvável para qualquer animal ou humano nessa época foi feita sem que ninguém pudesse vê-los. Isso intrigava qualquer um aqui ou ai. 

            A matilha sabe exatamente o que veio fazer aqui e principalmente pela procedência eles tem um alvo. Essa sensação foi perfeitamente narrada pelo chefe que suspeita que essa matilha tenha sido treinada pelo serviço secreto chinês da região de Guanxi. Lá como aqui existe uma floresta virgem de 40 mil anos. Parte do serviço secreto chinês se escondem ali para treinar e espionar todos seus inimigos. 

            Se isso se confirmar realmente estamos diante de um conflito muito mais profundo e perigoso que o normal, aguardemos!

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